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COCHABAMBA, 17 OUT (ANSA) - A cúpula da Aliança Bolivariana para Nossa América (Alba) terminou hoje com uma declaração final que aprova a criação do sistema de compensação comercial para a região, reclama o direito à "Mãe Terra" e rechaça o golpe de Estado praticado contra Manuel Zelaya em Honduras.
A nova moeda única, chama de Sistema Único de Compensação Regional (Sucre), deve começar a circular em 2010 e representa o primeiro passo para a independência econômica do bloco.
"É um passo para nossa soberania monetária, para nos livrarmos da ditadura do dólar que o império norte-americano impôs ao mundo", disse o mandatário venezuelano, Hugo Chávez. Ele também aproveitou a oportunidade para convidar outros países da América do Sul, como a Argentina, a aderirem à iniciativa.
Por sugestão do presidente boliviano, Evo Morales, os nove países que compõem a Alba devem levar para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorrerá em dezembro, na capital da Dinamarca, uma "declaração dos direitos da Mãe Terra".
No último mês de agosto, Morales foi nomeado pela Assembleia Geral da ONU "Herói Mundial da Mãe Terra", por ser o primeiro indígena a governar o país.
Hoje, ele antecipou que a Bolívia vai começar uma campanha internacional para que as Nações Unidas aprovem uma declaração sobre os direitos da natureza. "Não estou de acordo com a mudança climática", disse o presidente, que ainda reiterou a proposta de criação de um tribunal internacional para julgar crimes ambientais.
A cúpula da Alba também aprovou a criação de um mecanismo regional de arbitragem para solucionar conflitos sobre investimento, ainda por iniciativa da Bolívia.
Em 2008, os bolivianos abandonaram o Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (Ciadi), do Banco Mundial, por causa de um briga entre um grupo italiano de telefonia e o Estado, referente à nacionalização da estatal Entel.
Participaram da reunião além de Chávez, seus homólogos da Bolívia, Evo Morales; do Equador, Rafael Correa e da Nicarágua, Daniel Ortega. Também estavam presentes os primeiros-ministros da Dominica, Roosevel Skerit; de Antígua e Barbuda, Baldwin Spencer, e de São Vicente e Granadinas, Ramón Machado.
A Alba também aprovou a declaração de "apoio ao legítimo governo de Honduras", em que expressou o "mais profundo rechaço pelas situações política e social insustentáveis, causadas pela aventura irresponsável dos praticantes de um infame golpe de Estado".
Os líderes latino-americanos concordaram em aplicar "sanções econômicas e comerciais contra o regime golpista" em Honduras, baseados em um projeto da chanceler do presidente deposto, Manuel Zelaya, a hondurenha Patrícia Rodas.
Chávez ainda pediu ainda ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que demonstre ser contra o golpe que destituiu Zelaya, retirando de Honduras as bases militares norte-americanas, e demonstre que realmente merece o prêmio Nobel da Paz com o qual foi laureado recentemente. (ANSA)
17/10/2009 20:03
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