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 FATOS DO DIA
INCURSÃO MILITAR BRASILEIRA GERA MAL-ESTAR COM PARAGUAI

ASSUNÇÃO, 20 NOV (ANSA) - O governo paraguaio expressou hoje um enérgico protesto ao Brasil por uma incursão militar brasileira em território paraguaio e pelas freqüentes manobras na fronteira, o que considera atos permanentes de "confrontação e provocação".
    O chanceler Alejandro Hamed Franco convocou o embaixador do Brasil em Assunção, Eduardo dos Santos, para entregar a ele um comunicado oficial de protesto, enquanto outros membros do governo formularam fortes declarações contra o país vizinho.
    Segundo o comunicado emitido conjuntamente pela Chancelaria e pelo Ministério da Defesa Nacional do Paraguai, militares brasileiros realizaram uma incursão ontem de 30 metros em território paraguaio.
   O fato ocorreu em um dos pontos da extensa fronteira que une os dois países, entre as localidades de Colonia Canindeyú (Paraguai) e Colônia Painerinha (Brasil).
   Segundo reportavam hoje todos os jornais de Assunção, com fotos, uma unidade do exército brasileiro instalou cones de controle de trânsito no local, supostamente para combater crimes que ultrapassem a fronteira brasileira.
    Imediatamente, os militares paraguaios se instalaram no local, enquanto os brasileiros se retiraram pouco depois.
    "Toda incursão no território nacional de efetivos policiais ou militares estrangeiros sem autorização expressa do governo nacional ou sem coordenação com ele, constitui em uma violação à soberania territorial de nosso país", expressa o comunicado.
    "O citado incidente, que atinge nossa soberania, é acrescentado a recentes episódios no mesmo sentido no que parece uma inexplicável, mas sistemática prática e atitude recorrentes de confrontação e provocação", diz o texto.
    Nesse parágrafo há uma alusão às manobras "freqüentes" que são realizadas pelas forças militares do Brasil na fronteira, em especial aparentemente cada vez mais há desencontros bilaterais sobre algum tema.
    Uma manobra militar brasileira recente foi atribuída ao problema que enfrentam os 'brasiguaios' -- fazendeiros brasileiros e descendentes radicados no Paraguai --, que não são aceitos, principalmente pelos sem-terra paraguaios.
    Inclusive, vários 'brasiguaios' realizaram uma reunião na cidade de Foz do Iguaçu para pedir apoio do governo brasileiro diante do que consideram hostilidades dos camponeses.
   Após se reunir com Franco e após receber o protesto do Paraguai o embaixador brasileiro disse que as manobras fronteiriças são normais, que não as considera uma "provocação" e anunciou que enviará a nota ao governo brasileiro.
    O secretário-geral da presidência, Miguel López Perito, anunciou que o presidente Lugo quer conversar por telefone com Luiz Inácio Lula da Silva.
    Por sua parte, o ministro do Interior paraguaio, Rafael Filizzola, fez duas críticas à atitude brasileira. "Nos preocupa e nos causa mal-estar, já que é um ato que não contribui ao bom relacionamento que deve existir entre dois amigos do Mercosul", disse.
    Filizzola pediu que os direitos do Paraguai se façam valer para que a soberania de seu país não seja violada, enquanto qualificou como "lamentável" a ação.
   Em referência às respostas brasileiras, de que os incidentes serão investigados, ou que são manobras comuns, Filizzola disse que "não se pode continuar esclarecendo permanentemente" repetidas ações.
    Os brasileiros "têm que tomar medidas internas efetivas para que esses atos não se repitam na fronteira", pediu.
    A imprensa paraguaia, por sua parte, traduziu o mal-estar local, como no caso do jornal Ultima Hora, em "Uma nova provocação brasileira na fronteira". (ANSA)
20/11/2008 18:27

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