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SANTIAGO DO CHILE, 3 JAN (ANSA)- Kart Boehmer, presidente da Anistia Internacional (AI) no Chile, condenou o uso excessivo de força e lamentou a morte do indígena mapuche Matias Catrileo, causada por disparos da polícia, que protegia uma fazenda na região de Vilcún.
"Para nós é lamentável a morte ou violação dos direitos humanos de qualquer pessoa, de qualquer idade, condição ou etnia", assegurou Boehmer, enfatizando que "nos preocupa há bastante tempo o uso excessivo da força pública na repressão de certas manifestações políticas de mapuches".
Catrileo, de 22 anos, estudante de agronomia, morreu nesta madrugada após receber tiros de policiais em uma fazenda sob proteção policial a 700 de Santiago .
O homicídio está sendo investigado pela promotoria da região de Araucanía e indígenas mapuches se recusam a entregar o cadáver da vítima.
O governador do estado, Oscar Eltit, expressou repúdio ao ato de violência e à morte do jovem mapuche, mas exigiu a entrega imediata do corpo da vítima, pois "estamos em um Estado de direito".
O bispo de Temuco, Camilo Vial, demonstrou a disposição da Igreja para mediar a entrega do corpo de Catrileo e destacou que as normas vigentes devem ser respeitadas. Já o bispo de Villarica, Sixto Parzinger, manifestou "dor" pela morte do estudante, e iniciou gestões junto a outros mapuches em prol da entrega do corpo.
Por sua vez, José Aylwin, Co-Diretor do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas, demonstrou preocupação pelas situações críticas "que afetam os direitos coletivos do povo mapuche e os direitos individuais de seus integrantes".
Aylwin relembrou "a duração de já 82 dias da greve de fome dos presos mapuches que se autodenominam presos políticos, não sem fundamento".
O líder aludiu especificamente ao caso de Patrícia Troncoso, que "já está há 82 dias em greve de fome, podendo ter um desenlace fatal".
"Nos parece particularmente preocupante o silêncio do governo. Há que se lembrar que eles estão cumprindo uma pena pela legislação antiterrorista em um processo judicial no qual o governo do então presidente Ricardo Lagos esteve envolvido", justificou Aylwin.
O Observatório dos Direitos dos Povos Indígenas tem sido bastante crítico a respeito da aplicação da legislação antiterrorista em problemas com os indígenas mapuches. (ANSA)
03/01/2008 16:02
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